
O ex-servidor da Sanepar, Glauberson Rocha, registrou em vídeo uma denúncia grave contra a Sanepar, empresa em que era funcionário. As imagens foram gravadas na bacia de captação de água que abastece a população de Guarapuava, no Rio das Pedras, em cima de um amontoado de pedras, onde segundo Glauberson deveria ter sido construído uma barragem.
O ex-saneparista trabalhou por 20 anos na empresa, quatro numa empreiteira e 16 anos como concursado, até ser exonerado pela diretoria central. Ele afirma que a diretoria preferiu exonerá-lo “por justa causa”, do que apurar suas queixas, demonstradas no vídeo.
Glauberson afirma que o problema teve origem na ampliação da estação de captação de água no Rio das Pedras e na construção da nova estação de tratamento junto à central.
No vídeo, é visível uma barragem que se parece com um “amontoado” de rochas, ao invés das habituais estruturas de concreto armado. Segundo o ex-funcionário, técnicos da Sanepar justificaram, na época, que o rio não tem laje para suportar uma construção desse porte, optando-se, então, pelo sistema de “enrocamento” – um conjunto de rochas “ensacadas” dentro de uma malha de ferro ou arame.
Até as novas obras, a captação era feita sem barragem, com o rio seguindo seu curso normal. Com a implantação de tubos maiores, para abastecer a nova estação de tratamento, a tubulação ficou 1,5 metro acima do leito. Para elevar o nível, foi feita a barragem e, ainda assim, “fora dos padrões normais do sistema de enrocamento”, sustenta Glauberson Rocha. Para estar na normalidade, segundo o ex-funcionário, as rochas estariam em blocos fechados e com comportas para possibilitar o escoamento da água, para limpeza ou excesso de volume.
Segundo o vídeo, na barragem atual sujeiras de “animais vivos” seriam despejados ao longo do rio, ficam parados na lagoa junto à estação de captação. Rocha diz que a estação é antiga e não está dimensionada para o nível de tratamento exigido com o aumento da vazão de água produzido na rede de captação. Em consequência, de acordo com o ex-funcionário, estão sendo adicionados mais produtos químicos na água, para nivelar o pH (excesso de acidez, que favorece surgimento de microrganismos), o que provocaria a corrosão da ferrugem dos tubos de ferro na rede de abastecimento e afetando a cor, o cheiro e qualidade da água servida à população.
A Sanepar foi procurada pela redação do Jornal O Plano para se manifestar sobre a denúncia de seu ex-funcionário. Não obtivemos retorno até o momento da publicação desta matéria.
