
Foto: Secretaria de Turismo de Foz do Iguaçu
A noite de Natal em Foz do Iguaçu foi marcada não apenas pela ausência de celebrações à altura da data, mas também por críticas generalizadas da população à gestão pública municipal. Em meio à exoneração de Dalmont Pastorelo Benites, então presidente da Fundação Cultural de Foz do Iguaçu, após a entrega incompleta do projeto Natal das Cataratas, outro contrato de decoração natalina passou a ser alvo de questionamentos, desta vez com repercussão direta no Tribunal de Contas do Estado do Paraná (TCE-PR).
O contrato em questão, no valor de R$ 2,44 milhões, foi firmado com a empresa Bambusa Arquitetura Ltda., especializada na produção de peças decorativas em bambu. Desde o início da instalação, no entanto, o projeto passou a receber críticas da população, que apontou falta de planejamento, má distribuição das estruturas e qualidade inferior do resultado final.

Fonte: Interno
As peças foram instaladas de forma isolada, em pontos considerados aleatórios, o que comprometeu a harmonia visual da decoração. Moradores também questionaram a experiência da empresa na organização de decorações natalinas de grande porte, classificando o conjunto como “mal executado” e “sem identidade”.
Além da estética, os valores pagos chamaram atenção. Segundo informações constantes no contrato, uma única escultura do 14-Bis confeccionada em bambu custou R$ 142 mil aos cofres públicos. Outro item, um túnel tramado de 30 metros, teve custo de R$ 180 mil. Para parte da população, os gastos são incompatíveis com o resultado entregue, especialmente em um município que enfrenta problemas estruturais graves, como aumento da população em situação de rua, tráfico de drogas e pessoas, além de deficiências históricas em infraestrutura urbana.

Fonte: Proposta Comercial Bambusa / gerada por IA

Fonte: Proposta Comercial Bambusa / gerada por IA
A situação se agravou com relatos recorrentes de falta de iluminação nas estruturas decorativas, inclusive na véspera e na noite de Natal. Em algumas praças, a ausência total de luz comprometeu não apenas o evento, mas também a segurança dos frequentadores, evidenciando fragilidades na infraestrutura básica do projeto. Diante do cenário, o TCE-PR intimou a Prefeitura de Foz do Iguaçu a prestar esclarecimentos sobre a forma de contratação da empresa. O contrato foi firmado por inexigibilidade de licitação, modalidade permitida apenas quando há inviabilidade de competição. A justificativa apresentada pelo município foi a suposta singularidade técnica da empresa contratada, argumento que agora será analisado pelo órgão de controle.
Até o momento, a prefeitura não se manifestou publicamente sobre a intimação nem sobre os questionamentos levantados. O Tribunal de Contas, por sua vez, não determinou a suspensão imediata do contrato, mas mantém o processo em análise. O episódio ampliou o desgaste da administração municipal e transformou a decoração natalina, tradicionalmente símbolo de celebração, em motivo de críticas severas quanto à capacidade de gestão dos recursos públicos arrecadados por meio de impostos pagos pela população.
