Gravações mencionam cobrança de valores dentro da estatal para quitar gastos eleitorais

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Uma gravação de áudio que circula nos meios políticos paranaenses e foi publicada nas últimas semanas voltou a colocar em foco suspeitas de financiamento irregular de campanha envolvendo o governador do Paraná, Carlos Massa Ratinho Junior, e o secretário estadual das Cidades, Guto Silva. O conteúdo, atribuído ao ex-gerente da estatal Sanepar Rafael Malaguido, faz referência à solicitação de repasses financeiros a funcionários comissionados da companhia com o objetivo de custear uma suposta dívida de campanha no valor de cerca de R$ 4 milhões, que não teria sido registrada na prestação de contas oficial junto à Justiça Eleitoral.
Nos áudios tornados públicos, Malaguido e Jaime Antônio de Camargo Ferreira, este último identificado como assessor ligado ao secretário Guto Silva, discutem valores que variavam de R$ 15 mil a R$ 25 mil reais a serem arrecadados entre servidores comissionados, sob a alegação de que a contribuição seria necessária para “quitar” parte da dívida eleitoral atribuída à campanha. Em um trecho da gravação, Malaguido diz que “teu chefe sou eu, o Rafael, e é o Guto”, reforçando a ligação política das indicações e da pressão sobre os funcionários para contribuir com os valores mencionados.
A Sanepar, empresa de economia mista responsável pelo abastecimento de água e saneamento no Paraná, declarou em nota que os áudios são antigos e já foram objeto de apuração em 2021, com a demissão por justa causa dos funcionários envolvidos, os quais seguem respondendo a processos judiciais. O governo do Paraná, por sua vez, afirmou que as acusações tratam-se de “pauta velha” e que não haveria fatos novos além do que já havia sido analisado pelos órgãos de fiscalização.Metrópoles
O caso ganhou amplitude ao envolver a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que foi acionada para apurar se a suposta arrecadação irregular dentro de uma empresa com capital aberto e controlada pelo governo estadual pode ter ocorrido em contrariedade às normas de transparência e governança exigidas para companhias desse tipo. A abertura dessa investigação é considerada relevante por especialistas em direito empresarial e de mercado de capitais, uma vez que a Sanepar detém ações negociadas em bolsa e, portanto, está sujeita à regulação da CVM, que pode definir sanções caso identifique irregularidades no uso de seus recursos ou influência indevida em questões de campanha.
A proximidade política entre Guto Silva e o governador Ratinho Junior também tem sido ressaltada nos bastidores, já que Guto é apontado como um dos nomes preferenciais para suceder Ratinho no comando do governo estadual. A repercussão das gravações e das investigações poderá impactar trajetórias e estratégias políticas já em um ano marcado por disputas internas e articulações eleitorais no Paraná.
Até o momento não houve uma resposta pública formal de Ratinho Junior ou de Guto Silva reconhecendo a autenticidade das gravações ou esclarecendo de forma detalhada o que teria motivado as conversas, e a disputa em torno da interpretação dos fatos segue sem definição conclusiva.
