
O governo estadual do Paraná investiu pesadamente na engorda da faixa de areia da praia de Matinhos, com um custo de R$ 120 milhões destinados especificamente a essa etapa do projeto de requalificação costeira. Esse valor representa 39% do investimento total na iniciativa, que foi executada pelo Consórcio Sambaqui sob responsabilidade do estado. Além disso, o Instituto Água e Terra (IAT), órgão estadual, arcou com R$ 1,6 milhão adicionais para terraplanagem e transporte de areia, totalizando um dispêndio significativo de recursos públicos para combater a erosão costeira.
No entanto, evidências levantadas pelo JB Litoral por meio de análises no Google Earth revelam uma regressão preocupante. Comparações de imagens satélite mostram que, em junho de 2021, antes da engorda, a largura da faixa de areia media 47,5 metros. Em outubro de 2022, ao final das obras, essa medida dobrou para 101 metros. Já em dezembro de 2023, a última imagem satélite disponível, a largura havia diminuído para 87 metros, indicando perdas progressivas.
Medições recentes realizadas pelo JB Litoral neste ano, na semana passada (novembro de 2025), confirmam o retrocesso: a faixa de areia agora mede apenas 46,7 metros, retornando praticamente à mesma proporção observada antes do investimento milionário, o que sugere que os efeitos da engorda se dissiparam em pouco mais de três anos.
Em nota, o IAT respondeu sobre o assunto: “Não procede a informação de que a região voltou ter a mesma largura de antes. Além disso, o engordamento da faixa de areia elevou o nível em relação do local que, antes das obras, apresentava um grande desnível entre o calçadão e a praia, o que não existe mais. Naturalmente, com a deriva litorânea, alguns pontos terão perdas e outras acréscimo da faixa de areia. Por isso o projeto previu, desde o princípio, que seria necessária a manutenção da orla, com a movimentação de areia em diferentes pontos da praia de Matinhos, como está ocorrendo atualmente. A dragagem pode ser uma alternativa para ajudar na manutenção, como estipulado no projeto. Caso seja necessário, será contratado pelo Instituto Água e Terra (IAT). Mas, por enquanto, somente a escavação, já em execução, é suficiente.”
