SÃO JOÃO: A SAÚDE PODE ESPERAR, AFINAL É NATAL

 E a pergunta permanece: quanto custa uma vida diante das escolhas do poder público?

Uma jovem procurou atendimento médico na última quarta-feira, (12/11) no município de São João, sudoeste do Paraná, devido a fortes dores abdominais. O médico solicitou um exame de ultrassom para investigar o caso, mas, ao tentar agendar o procedimento, ela recebeu a previsão de que só conseguiria realizar o exame em junho de 2026,  um sinal claro da longa fila existente no sistema de saúde municipal. Menos de 24 horas depois, na tarde de quinta-feira, a paciente precisou ser levada às pressas ao hospital e passou por uma cirurgia de apendicite, uma emergência médica que, quando não tratada rapidamente, pode provocar infecção generalizada e levar à morte.

O atraso no acesso a exames não é novidade para os moradores, que relatam espera crescente por procedimentos básicos e de rotina, principalmente após as eleições suplementares de 2025 que ocorreram no município. A fila da ultrassonografia, em especial, vem se arrastando por meses, atingindo pacientes que precisam do exame. No mesmo período em que essa demanda se acumula, a Prefeitura Municipal realizou um pregão para contratação de decoração natalina no valor de R$ 357.489,97, um investimento questionado por parte da população diante da carência da rede pública de saúde.

A apendicite aguda, quadro enfrentado pela jovem, é apontada pela literatura médica como uma condição que exige diagnóstico rápido. O risco de rompimento do apêndice e de evolução para infecção generalizada aumenta consideravelmente após 24 a 48 horas de sintomas. A demora em conseguir o exame, portanto, poderia ter colocado ainda mais em risco a vida da paciente. Nas redes sociais, moradores têm demonstrado preocupação e indignação, cobrando explicações e criticando as prioridades estabelecidas pela gestão municipal.

Além do caso da Jovem, na Sessão da Câmara dos Vereadores de 17 de novembro, um dos vereadores no uso da tribuna, trouxe outros casos de esperas inexplicáveis: Cirurgia no Olho, há 4 meses aguardando para marcar; Tratamento Ortodôntico de Canal, aguardando há 2 meses; Consulta com ortopedista para pessoa com deficiência; Consulta com o Ortopedista, apenas para 2026; Exame de ultrassom de Tireóide apenas para 2026; Mulher com nódulo no seio há 6 meses aguardando mastologista e agora surgiu um novo nódulo.

A reportagem entrou em contato com a Prefeitura Municipal às 12h desta sexta-feira, questionando o motivo da longa fila de exames, a justificativa para o investimento de R$ 357 mil na decoração natalina e eventuais medidas para ampliar a oferta de ultrassons e reduzir o tempo de espera. Até o fechamento desta matéria, não houve resposta.

O caso deve ser levado ao Ministério Público e ao Conselho Municipal de Saúde, que podem solicitar informações oficiais e cobrar providências. A população defende a reorganização das prioridades orçamentárias, com reforço na oferta de exames e transparência sobre a aplicação dos recursos da saúde. Enquanto as luzes do Natal começam a tomar conta da cidade, moradores seguem à espera de exames que podem salvar vidas.

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