
Foto: Portal CONSAMU
Quando ocupar um cargo público de alta responsabilidade (daqueles em que decisões podem literalmente afetar vidas) vira apenas questão de política e boa convivência com certas figuras do poder? Em Cascavel, ao que tudo indica, isso pode estar acontecendo debaixo de nossos olhos.
A equipe de O Plano decidiu analisar mais de perto alguns cargos comissionados do serviço público, investigando como essas nomeações têm sido feitas e se realmente seguem critérios técnicos. Dois casos envolvendo o Consórcio de Saúde dos Municípios do Oeste do Paraná (CONSAMU) chamaram atenção pela aparente fragilidade do processo de seleção.
Caso 1: Guilherme Augusto Palma Salvado
Guilherme, ex-assessor e ex-chefe de gabinete do vereador Alécio Espínola (PL), deixou o cargo após a nova legislatura de 2025. Logo em seguida, assumiu a coordenação do Núcleo de Educação Permanente (NEP) do CONSAMU.
A questão é simples: ele não possui formação nem histórico profissional na área da saúde, mas ainda assim foi diretamente colocado no posto de coordenador, embora tenha sido demitido do núcleo recentemente.
Chamou atenção também o momento da mudança: a nomeação ocorreu pouco depois da troca na presidência da Câmara Municipal, que passou para Tiago Almeida (Republicanos), após uma suposta traição envolvendo o atual prefeito e Alécio, que deveria renunciar a pretensão da sua candidatura à prefeitura em troca do apoio para permanecer na presidência da câmara. Não há como afirmar que isso influenciou a indicação, mas o timing certamente levanta dúvidas.

Caso 2: Jeferson Cordeiro dos Santos
Outro nome que gerou questionamentos é o de Jeferson Cordeiro dos Santos, ex-policial militar da reserva e ex-vereador entre as legislaturas 16ª (2017 – 2020) e 17ª (2021 – 2024). Assim como Guilherme, também assumiu, em 2025, a coordenação do mesmo núcleo no CONSAMU, sem formação na área da saúde ou experiência em gestão no setor.
Durante quase duas décadas na Câmara, Jeferson aprovou apenas 11 projetos de lei ordinária (sendo a grande parte relacionada ao Calendário Oficial de Eventos da cidade). Nada que, pelo que se sabe até agora, justificasse uma ascensão tão rápida para uma função técnica.
Ele acabou sendo demitido recentemente, mas as dúvidas sobre sua nomeação permanecem.

Foto: Portal da câmara municipal de Cascavel
O que esses casos mostram
Os indícios reunidos até aqui apontam para um problema maior: cargos que deveriam exigir avaliação técnica e critérios de competência estariam sendo ocupados por laços políticos, amizades e práticas antigas da política local.
Se isso se confirma, não é apenas uma falha administrativa, é algo que pode impactar diretamente serviços essenciais, como o atendimento em saúde.
Nossa equipe seguirá investigando e denunciando eventuais irregularidades nas nomeações de cargos públicos, comissionados ou não, sempre em busca de mais transparência e responsabilidade na gestão pública.
Contraditório
Em respeito ao jornalismo equilibrado, a equipe do jornal O Plano procurou a diretoria do CONSAMU para se manifestar sobre quais são os critérios de nomeação da instituição e sobre as supostas irregularidades no processo. Porém, até então não obteve retorno.
