MP investiga presidente da Fundhospar por supostamente “receber sem trabalhar” em Jussara enquanto comanda a saúde de Cianorte

Imagem: Reprodução

O Ministério Público do Paraná abriu um inquérito civil para investigar se Aloiz Pereira da Silva — servidor de carreira da Prefeitura de Jussara e atual presidente da Fundhospar, entidade responsável pela Santa Casa de Cianorte — recebe gratificação máxima de 100% sem cumprir a carga horária integral no serviço público.

A suspeita surgiu após uma denúncia formal enviada ao MP, afirmando que Aloiz estaria descumprindo a jornada de trabalho em Jussara, inclusive não trabalhando às sextas-feiras, enquanto recebe como se cumprisse horário completo.

A promotoria apura se o caso configura dano ao erário, acúmulo ilegal de vantagens e possível enriquecimento ilícito.

O centro da polêmica: comandar a Santa Casa e, ao mesmo tempo, cumprir jornada integral em outra cidade

Aloiz ocupa simultaneamente um cargo efetivo na Prefeitura de Jussara, com salário, ponto e gratificação de 100% (a maior possível), e a presidência da Fundhospar, responsável pela Santa Casa de Cianorte — função que exige “dedicação integral”, reuniões externas e presença constante.

A pergunta que agora move o Ministério Público é simples e direta: É possível cumprir duas jornadas integrais em cidades distintas ao mesmo tempo — e receber por ambas? Segundo a denúncia, a resposta tende a ser não.

Denúncia: gratificação máxima e expediente reduzido

O e-mail enviado ao MP em junho afirma que Aloiz:

Recebe gratificação de 100% do salário-base;

Estaria respaldado em uma jornada antiga de 32h30 semanais, apesar de o Plano de Cargos de 2006 do município prever 40 horas;

Não trabalharia às sextas-feiras, mesmo recebendo integralmente.

A promotoria considerou os elementos suficientes para instaurar investigação formal.

Documentos oficiais: como o caso virou inquérito

Após abrir uma Notícia de Fato, o MP decidiu aprofundar a apuração e transformou o caso em Inquérito Civil em novembro.

A promotora Bianca Riva Ribeiro destaca:

As gratificações são vantagens transitórias, condicionadas ao exercício efetivo da função; 

Receber sem cumprir carga horária pode configurar enriquecimento ilícito;

Gerar responsabilização por improbidade administrativa.

O que diz a Prefeitura de Jussara?

Em resposta ao MP, o prefeito do município afirma que: 

Aloiz entrou no serviço público pela Lei 820/1999, que previa jornada de 32h30;

A lei posterior que instituiu 40 horas não se aplicaria ao servidor;

A gratificação de 100% seria justificada porque Aloiz exerce direção, coordenação e assessoramento;

Foi autorizado um “regime excepcional” de controle de ponto, baseado em decisões do Tribunal de Contas, devido à atuação externa do servidor.

O que diz Aloiz Pereira?

Em manifestação enviada ao Ministério Público, Aloiz:

Negou qualquer irregularidade;

Afirmou ser servidor há 27 anos, sempre cumprindo suas funções;

Disse que sua jornada reduzida é legal e amparada na lei de cargos da época;

Alegou exercer atividades de coordenação desde 2011;

Diz ter “dedicação integral” às funções públicas e afirma que a denúncia seria motivada por “disputa político-partidária” e ataque pessoal às vésperas de eleição interna entre servidores.

O que o MP ainda quer saber

Para concluir a investigação, a promotoria solicitou:

A íntegra da lei municipal que definia a antiga jornada de 32h30;

O ato formal que autorizou o regime especial de ponto;

Os critérios usados para conceder a gratificação de 100%;

E os documentos que comprovem o controle da frequência e o cumprimento da carga horária.

Se forem encontradas irregularidades, o MP pode propor uma ação de improbidade administrativa, pedido de devolução de valores aos cofres públicos e até perda da função pública.

Impacto regional: saúde pressionada e denúncias mais sensíveis

A investigação ocorre justamente quando Cianorte enfrenta sobrecarga no atendimento e a Santa Casa lida com demanda crescente.

O fato de o presidente da Fundhospar — peça central do sistema de saúde regional — estar sob investigação por supostamente receber sem trabalhar integralmente amplifica a repercussão do caso.

Situação atual

Aloiz não foi condenado e o caso segue em investigação. O MP ainda analisa os documentos solicitados e não há decisão final.

Contraditório

Em respeito ao jornalismo ético e equilibrado, o Jornal O Plano procurou o presidente da Fundhospar para se manifestar sobre as investigações. Aloiz, enviou uma nota para nossa redação:

Eu enquanto servidor público sempre cumpri com minhas responsabilidades, nunca me preocupei com horário, mas sempre fiquei à disposição em todo tempo, tantoque, desde 2011 recebo sim, gratificação, porém, com responsabilidades em diversas funções, todos aqueles que recebem FG, não pode se prender a horário, pois deverá estar à disposição 24h por dia todos os dias da semana, diante disso, não me preocupo com a denúncia. Consciência tranquila de estar sempre sendo cumpridor dos deveres, portanto convicto de não ter em momento algum, lesado ao erário público, me coloco a disposição, e também se quiserem fazer uma busca sobre meu desempenho enquanto servidor, junto aos prefeitos por qual passamos, câmara de vereadores e colegas de trabalho, tem todo meu apoio em perguntar sobre mim. Sempre grato a Deus em primeiro lugar, e a todos aqueles que sempre estiveram comigo.´´

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