Goura, o rei do gasto: um deputado, 423 mil reais em 2025 — e a farra bancada pelo Paraná

Enquanto hospitais públicos padecem por falta de recursos, o campeão de gastos da Assembleia Legislativa consome verba que daria para custear 15 mil consultas médicas ou reformar três escolas públicas

Foto: Assembleia Legislativa do Paraná

Enquanto o cidadão comum enfrenta hospitais superlotados e escolas públicas em estado de degradação, um seleto grupo de deputados estaduais do Paraná demonstra maestria na arte de esgotar verbas públicas. Os números oficiais revelam um cenário de gastos milionários que choca até os mais habituados às mordomias do poder.

No topo absoluto do ranking, o deputado Goura consome sozinho a impressionante quantia de R$ 423.780 do erário público em um ano — valor equivalente ao salário anual de 34 professores da rede estadual ou à reforma completa de três escolas públicas carentes. O campeão de gastos estabelece um novo patamar de consumo de verba pública, deixando claro que, para alguns, o conceito de austeridade é mera figura de retórica.

Bem próximo do líder aparece o deputado Arilson Chiorato, com R$ 422.310, seguido pela deputada Flávia Francischini, com R$ 418.535. A diferença tão ínfima entre os primeiros colocados — meros R$ 1.470 separam o primeiro do segundo lugar — chega a causar estranheza e levanta questões sobre possíveis acordos não declarados.

A lista dos maiores gastadores segue com outros nomes que abraçaram a cultura do desperdício: Marcelo Rangel (R$ 413.992), Cobra Repórter (R$ 407.114), Ricardo Arruda (R$ 395.049), Batatinha (R$ 394.886), Professor Lemos (R$ 393.978), Dr. Antenor (R$ 392.340) e Adão Litro (R$ 386.972). Juntos, esses dez parlamentares consumiram impressionantes R$ 4.043.956 dos cofres públicos em apenas um ano.

Fotos: Assembleia Legislativa do Paraná

Enquanto esses deputados gastam centenas de milhares em rubricas como “serviços de divulgação” — que na prática significam propaganda pessoal bancada pelo contribuinte — e “locação de imóveis” que mais parecem suítes de luxo, a população enfrenta o drama cotidiano da precariedade dos serviços públicos.

O valor total gasto apenas pelos dez maiores gastadores — R$ 4 milhões — seria suficiente para equipar dez UPAs completas ou custear 120 mil exames de mamografia no SUS. Enquanto isso, nas ruas, o cidadão paranaense trabalha duro para pagar impostos que sustentam essa máquina de gastos descontrolada.

A pergunta que não quer calar: como justificar que um único deputado gaste R$ 423.780 em um único ano? Ou que dez parlamentares consumam R$ 4 milhões dos cofres públicos enquanto serviços essenciais padecem por falta de recursos?

Os números falam por si e a mensagem é clara: há uma desconexão profunda entre a realidade da população e os gastos dos que deveriam representá-la. Enquanto o cidadão comum se vira para pagar impostos que sustentam essa máquina, os deputados seguem gastando como se o dinheiro público fosse inesgotável.

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