
Em uma nova fase da Operação Sem Desconto, a Polícia Federal prendeu nesta quinta-feira o ex-procurador-geral do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), Virgílio Antônio Ribeiro de Oliveira Filho, e sua esposa, a médica e empresária Thaisa Hoffmann Jonasson. O casal se entregou voluntariamente na sede da Superintendência da PF em Curitiba após não serem localizados em sua residência durante o cumprimento de mandados de prisão. A operação investiga um esquema de desvios de valores de aposentados e pensionistas do INSS, com repasses ilícitos estimados em quase R$ 20 milhões.
De acordo com fontes da PF no Paraná, Virgílio e Thaisa são suspeitos de receberem propinas de Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, apontado como um dos principais operadores do esquema criminoso. Os repasses teriam sido feitos por meio de empresas ligadas à esposa do ex-procurador, incluindo a transferência de um carro de luxo. A Controladoria-Geral da União (CGU) identificou um acréscimo patrimonial de cerca de R$ 18 milhões nos últimos anos para Virgílio, o que reforçou as suspeitas de enriquecimento ilícito.
Virgílio ocupava o cargo de procurador-geral do INSS até abril de 2025, quando foi afastado pela Justiça Federal na deflagração da primeira fase da operação. Documentos da investigação revelam que o casal tentou justificar seu patrimônio em depoimento à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS. Eles mencionaram a reserva – posteriormente desfeita – de um apartamento de R$ 28 milhões em Balneário Camboriú (SC) e a compra de um Porsche Cayenne avaliado em R$ 789 mil. Durante o depoimento, o casal negou qualquer irregularidade. Thaisa, em particular, optou por não responder a questionamentos sobre o patrimônio e atribuiu os recebimentos em suas empresas a “serviços de consultoria, pesquisa e pareceres médicos”, negando qualquer vínculo com o “Careca do INSS”.
A Operação Sem Desconto visa desarticular uma rede de descontos irregulares em benefícios previdenciários, que afetam diretamente aposentados e pensionistas. Até o momento, a PF não divulgou mais detalhes sobre o andamento das investigações, mas fontes indicam que novos mandados podem ser cumpridos em breve.
Veja a lista de mandados de prisão:
1. Virgílio de Oliveira Filho, ex-procurador-geral do INSS
2. Thaisa Hoffmann Jonasson, médica e esposa de Virgílio
3. Alessandro Stefanutto, ex-presidente do INSS
4. Carlos Roberto Ferreira Lopes, presidente da Conafer
5. André Paulo Félix Fidelis, ex-diretor de Benefícios do INSS
6. Tiago Abraão Ferreira Lopes, diretor da Conafer
7. Antonio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, que já estava preso
8.. Samuel Chrisostomo do Bonfim Júnior, suspeito de ser operador financeiro da Conafer
9. Cícero Marcelino de Souza Santos, suspeito de ser lobista da Conafer
Essa prisão representa um avanço significativo nas apurações de corrupção no setor previdenciário, destacando a importância de mecanismos de controle como a CGU e a PF. Autoridades federais enfatizam que o esquema pode ter causado prejuízos milionários aos cofres públicos e aos beneficiários do INSS. Mais atualizações sobre o caso serão acompanhadas de perto.
