Ex-motorista do gabinete de Paulo Martins é nomeado em cargo comissionado por Ratinho Júnior e irá receber mais de R$ 15 mil por mês

Imagem: Reprodução

Em um movimento que levanta questionamentos sobre as dinâmicas de alianças e favoritismos na política paranaense, Luis Alberto Iankoski de Souza, demitido há pouco mais de um mês do gabinete do vice-prefeito de Curitiba, Paulo Martins, foi nomeado para um cargo comissionado no governo de Carlos Massa Ratinho Junior. A indicação, formalizada pelo Decreto nº 11.538 de 16 de outubro de 2025, coloca Souza como Assessor – Símbolo CCE-1 na Casa Civil do Estado do Paraná.

A trajetória recente de “Luisinho”  chama atenção por envolver um episódio de conflito interno no gabinete de Paulo Martins, atual vice-prefeito de Curitiba. De acordo com relatos publicados no blog Politicamente, uma discussão acalorada culminou na exoneração de Luis e do chefe de gabinete Dimas Bueno em setembro de 2025. Luisinho, que atuava como assessor e motorista de Martins, também teria tentado agredir fisicamente Dimas após uma negação de reajuste salarial, em meio a uma série de outros desentendimentos. 

Apesar do episódio conturbado, que incluiu alegações de agressão e tensões acumuladas, Luisinho, ex-assessor e motorista, encontrou uma nova oportunidade no alto escalão do governo estadual. A nomeação, assinada pelo governador Ratinho Junior, entrou em vigor imediatamente após sua publicação no Diário Oficial do Estado, em 16 de outubro de 2025. O cargo de assessor na Casa Civil é de livre nomeação, sem exigência de concurso público, o que facilita indicações baseadas em critérios políticos ou pessoais. De acordo com as informações fornecidas na transparência, Luis que foi nomeado em cargo CCE-1, deverá receber um salário de R$ 15.098,86 mensais.

O “cabidão de empregos”: Alianças e Favores no Paraná

Esse caso exemplifica o que muitos críticos chamam de “cabidão de empregos” no Brasil, onde laços pessoais e alianças partidárias frequentemente sobrepujam méritos profissionais ou históricos de conduta. Paulo Martins, ex-deputado federal pelo PL e agora filiado ao Novo, mantém uma parceria política estreita com Ratinho Junior há muitos anos. No início de 2024, por exemplo, Paulo chegou a ser nomeado para o cargo de assessor especial do governador. E recentemente, na filiação do vice-prefeito de Curitiba no Partido Novo, Ratinho Júnior esteve presente, mesmo sendo do PSD.

Especialistas em ciência política veem nesse episódio um padrão recorrente: ex-funcionários de aliados políticos são realocados em cargos públicos, independente de sua trajetória de trabalho. “No Brasil, a rede de contatos é o verdadeiro currículo”, comentou um analista político consultado para esta matéria, que preferiu não se identificar. Essa indicação levanta debates sobre a ética e quais são os reais critérios para indicações em cargos no Governo do Paraná.

Casos como esse alimentam críticas de que o sistema favorece mais os “amigos”, do que profissionais qualificados e imparciais. E com as eleições de 2026 se aproximando, observadores políticos no Paraná acompanham de perto se essa dinâmica influenciará o cenário eleitoral, visto que muitos colocam Paulo Martins como pré-candidato a governo do Paraná, e Ratinho Júnior como pré-candidato a presidência da República.

Contraditório

Em respeito ao jornalismo equilibrado, a redação do Jornal O Plano procurou o governador Ratinho Jr. para se manifestar, questionando quais os critérios para nomeação do ex-assessor de Paulo Martins na Casa Civil.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Rolar para cima