Na imagem: Ricardo Franco (à esquerda); Neto Santos (Multiloja) e Ratinho Júnior.1
O cenário político do Paraná ganhou novos capítulos de tensão nesta terça-feira após a divulgação de declarações duras feitas pelo agora ex-presidente estadual do PRD-25, Ricardo Franco.
Em tom de indignação, Franco tornou público um rompimento com a direção nacional da legenda, destacando que foi surpreendido com a notícia de que o comando do partido no Estado seria transferido para o empresário Neto Santos, proprietário do grupo Multiloja — rede varejista com mais de 70 lojas físicas no Paraná, aliado do Governador Ratinho Júnior.
A mudança foi comunicada oficialmente na última sexta-feira pelo presidente nacional do PRD, Ovasco Resende, e abriu uma crise interna sem precedentes na sigla paranaense.
“Fui traído”, afirma ex-presidente estadual
Em suas redes sociais, Franco publicou um desabafo contundente:
“Imagine alguém trabalhando incansavelmente durante 2 anos em um partido que imaginava ser sério. Agora imagine descobrir que toda essa entrega e trabalho foram ignorados, negociados. Pior, fizeram tudo pelas costas. Dinheiro falou muito mais alto.”
Segundo ele, toda a articulação para o novo comando teria ocorrido sem qualquer aviso ou diálogo prévio.
Franco reforçou o sentimento de ruptura ao afirmar:
“Foram mais de 170 mil votos, prefeitos, vice-prefeitos, vereadores e mais de 215 cidades abertas com o PRD. Mesmo assim fui traído por quem eu mais confiava: a direção nacional do PRD. Escolheram vender aquilo que jamais vou negociar: meus princípios.”
As declarações foram publicadas diretamente no perfil oficial da sigla no Paraná, @prd25pr, ampliando o impacto público do episódio.
Apoio interno e escalada de críticas
O clima de rebelião se estendeu a outros integrantes do partido. Um dos membros da executiva municipal de Curitiba, Rafinha Junior, reagiu nos comentários com ainda mais veemência:
“VERGONHA VASCO TRAIDOR!! JUDAS!”
A mensagem, direcionada supostamente ao presidente nacional Ovasco Resende, deixou evidente o nível de insatisfação e o desgaste institucional entre as lideranças.

Comentários de OPINIÃO por Murilo Derzette.
A queda do dirigente estadual no Paraná escancarou um problema muito maior do que uma disputa interna: revelou, mais uma vez, como a maioria das agremiações partidárias no Brasil opera com lógica cartorial: decisões centralizadas, pouca transparência e quase nenhuma coerência entre discurso e prática.
A crise no Paraná é um sintoma de um sistema falido: uma instituição que deveria servir à democracia, mas que opera como se tivesse donos. Enquanto os partidos continuarem sendo administrados como propriedades privadas, a democracia interna seguirá sendo apenas retórica — e a sociedade continuará pagando o preço.

Na foto: Ricardo Franco (ex-PRD); Neto Santos (Multiloja) e Gov. Ratinho Júnior.
