
Enquanto a Prefeitura de Fazenda Rio Grande homologa um contrato de R$ 2.497.963,00 para a decoração natalina do “Natal Encantado” 2025, incluindo itens luxuosos como uma Casa do Papai Noel de R$ 335 mil e uma árvore pixel musical de R$ 254,6 mil, moradores e observadores questionam a priorização de gastos festivos em meio a uma crise profunda na saúde pública municipal. O valor, adjudicado à empresa MCX Locações de Estruturas Ltda. via Pregão Eletrônico nº 70/2025, representa um investimento significativo em atrações visuais e recreativas, mas contrasta com relatos de dificuldades no acesso a serviços básicos de saúde, revelando um possível desequilíbrio nas alocações orçamentárias da administração interina.

A homologação do contrato, assinada pelo prefeito em exercício Luiz Sérgio Claudino em 18 de novembro, confirma a execução de 67 itens decorativos. Defensores da iniciativa argumentam que o “Natal Encantado” impulsiona o turismo local, fomenta o comércio e promove união comunitária, especialmente após anos desafiadores. No entanto, o custo total – equivalente a mais de R$ 2,5 milhões quando arredondado – tem sido criticado como excessivo, particularmente quando comparado aos orçamentos apertados em áreas essenciais.
O alto custo da festividade: Detalhes do orçamento e itens questionados
O edital do pregão eletrônico detalha um orçamento meticuloso, com itens que somam valores expressivos para uma cidade de porte médio na Região Metropolitana de Curitiba. A Casa do Papai Noel, por si só, consome R$ 335 mil, incluindo estrutura em fibra de vidro, decoração interna, ar-condicionado e atores caracterizados como elfos. A árvore pixel musical de 22 metros, com sistema de luzes sincronizadas e som, adiciona R$ 254,6 mil ao total. Outros elementos, como 500 módulos de micro lâmpadas LED (R$ 30 mil) e mangueiras luminosas de 300 metros, contribuem para o montante final de R$ 2.497.963,00.
Críticos nas redes sociais e em fóruns locais apontam que esse investimento reflete uma “prioridade invertida”: “Gastar milhões em luzinhas enquanto gente espera madrugada para marcar consulta? Absurdo”, comentou um morador.
O que torna o investimento natalino ainda mais controverso é o estado precário da saúde pública em Fazenda Rio Grande, marcado por escândalos recentes e problemas operacionais. Nos últimos meses, o Tribunal de Contas do Estado do Paraná (TCE-PR) suspendeu um contrato de R$ 4,5 milhões para testagem de saúde, citando indícios de superfaturamento e direcionamento, em uma licitação autorizada pouco antes da prisão do prefeito Marco Marcondes. A operação “Fake Care”, deflagrada em outubro, resultou na prisão de Marcondes e outros envolvidos por suposto desvio de recursos na saúde, com investigações se estendendo a oito prefeituras paranaenses.
A Prefeitura de Fazenda Rio Grande ainda são se pronunciou sobre as críticas. O Jornal O Plano segue aberto para atualizar a matéria caso haja novas manifestações.
