ABSURDO: Prefeitura de Pinhais solicita autorização ao IAT para cortar 661 árvores

Imagem: Wikipedia

A Prefeitura Municipal de Pinhais anunciou, por meio da Súmula nº 2/2025 publicada no Diário Oficial em 5 de novembro, que pretende requerer ao Instituto Água e Terra (IAT) a autorização para o corte de 661 árvores localizadas na Rua Humberto de Alencar Castelo Branco, nº 1647. O objetivo alegado é a implantação de uma obra viária, que visa melhorar a infraestrutura urbana na região. No entanto, o volume expressivo de supressões florestais tem gerado questionamentos sobre sua necessidade e sustentabilidade, com a prefeita Rosa Maria de Jesus Colombo (PSD) sendo publicamente questionada pela medida.

Imagem: Diário Oficial

A publicação oficial, assinada por Lizyane Gonçalves Lopes e divulgada na edição 2079/2025 do Diário Oficial, destaca que o requerimento ainda está em fase inicial e depende da aprovação do IAT, órgão estadual responsável por licenças ambientais no Paraná. Até o momento, não foram divulgados detalhes sobre o projeto viário específico, como o tipo de obra (ampliação de rua, construção de viaduto ou outra intervenção) ou o cronograma de execução. A prefeitura enfrenta críticas por uma ação que contraria os esforços de arborização urbana.

Danos Ambientais: Uma Perda Irreparável para o Ecossistema Urbano

Especialistas alertam que o corte em massa de árvores em áreas urbanas pode causar impactos profundos e de longo prazo no meio ambiente. De acordo com estudos e relatórios sobre arborização no Brasil, a supressão de árvores reduz significativamente a qualidade do ar, ao eliminar filtros naturais que absorvem poluentes e dióxido de carbono (CO2). Em cidades como Pinhais, parte da Região Metropolitana de Curitiba, isso agrava problemas como o aquecimento urbano – o chamado “efeito ilha de calor” –, aumentando as temperaturas em até 5°C em áreas desmatadas, além de elevar os níveis de poeira e poluição.

Além disso, as árvores atuam como barreiras contra erosão do solo e enchentes, absorvendo água da chuva e estabilizando o terreno. Sua remoção pode intensificar inundações em períodos chuvosos, comuns no Paraná, e comprometer a biodiversidade local. “Árvores servem de abrigo para aves, insetos e outros animais, ajudando a controlar pragas e vetores de doenças”, explica um relatório sobre arborização urbana. No contexto da Mata Atlântica, bioma predominante na região, o corte de espécies nativas pode violar a Lei nº 11.428/2006, que protege florestas remanescentes, exigindo compensações rigorosas como o replantio em proporção maior.

Vídeos gravados pela população, mostram a provável área que pode vir a ser desmatada:

Reprodução

Questões Sociais e Econômicas: Impactos na Qualidade de Vida e na Economia Local

Além dos danos ecológicos, o corte afeta diretamente a população. Árvores urbanas proporcionam sombra, reduzem o ruído e melhoram o bem-estar psicológico dos moradores, contribuindo para a saúde pública. Em Pinhais, uma cidade com cerca de 130 mil habitantes, a remoção pode degradar espaços públicos, afetando bairros residenciais próximos à rua em questão, no caso, na Vila Amélia.

Economicamente, há custos indiretos: o aumento de temperaturas eleva o consumo de energia com ar-condicionado, enquanto a perda de áreas verdes pode até desvalorizar imóveis. Críticos questionam se alternativas foram consideradas, como projetos de engenharia que preservem árvores ou o uso de espécies de menor porte.

Reações da comunidade já surgem nas redes sociais e em veículos locais, com moradores pedindo transparência. O Ministério Público do Paraná (MPPR) pode ser acionado por denúncias, investigando possíveis irregularidades no licenciamento.

Contraditório

A reportagem buscou contato com a Prefeitura de Pinhais para mais detalhes, mas não obteve resposta até o fechamento desta edição. Atualizações serão publicadas conforme novas informações.

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