
Foto: Rádio Cultura Foz
A Polícia Civil do Paraná registrou, na última semana, um boletim de ocorrência envolvendo o prefeito de Foz do Iguaçu, Joaquim Silva e Luna, após denúncia feita por uma diretora da rede municipal de ensino. Segundo o relato, a gestora afirma ter sido alvo de humilhações verbais e intimidação durante um encontro com o chefe do Executivo.
De acordo com o que circulam nas redes, o episódio teria ocorrido na manhã da última quinta-feira (29), em uma praça em frente à Escola Municipal João da Costa Viana, no bairro Três Lagoas. A diretora e outra profissional da unidade teriam convidado o prefeito para visitar a escola. Conforme o relato, a conversa teria iniciado de forma cordial, mas evoluiu para um clima de tensão após a diretora mencionar dificuldades enfrentadas pelo setor da educação pública na relação com a administração municipal.
Ainda segundo a denúncia, o prefeito teria questionado a permanência da diretora no cargo, utilizando frases como: “eu nem sei se você vai ficar aí nessa escola”. Os boatos também mencionam atitudes interpretadas como humilhantes e ameaças de possíveis represálias funcionais. Foi relatado ainda que o prefeito teria se aproximado de forma agressiva, com os punhos cerrados, falando exaltadamente, a ponto de ela sentir respingos de saliva durante a discussão.
No dia seguinte, sexta-feira (30), o Sindicato dos Professores e Profissionais da Educação da Rede Pública Municipal de Foz do Iguaçu (Sinprefi) divulgou uma nota pública repudiando qualquer forma de violência e manifestando solidariedade à profissional. O sindicato informou que está acompanhando o caso com cautela e que sua assessoria jurídica está prestando apoio à diretora.
Na nota, o Sinprefi reforçou seu posicionamento histórico contra qualquer tipo de violência e afirmou que seguirá atento aos desdobramentos do caso, “sempre pautado pelo respeito, pela responsabilidade e pelo compromisso com a categoria”.

A equipe do Jornal O Plano buscou contato com ambos os órgãos para esclarecimentos sobre os dois pontos apresentados na situação. Segundo o Sinprefi, a nota de repúdio refere-se diretamente ao fato ocorrido, no qual são mencionadas expressões como “violência contra a servidora”, além da confirmação do registro de boletim de ocorrência na 6ª Delegacia da Polícia Civil.
A Prefeitura, por sua vez, negou as acusações de agressão, classificando o episódio como um mal-entendido decorrente de um simples “debate de ideias”. De acordo com a Secretaria de Comunicação Social, o fator determinante para a confusão teria sido o funcionamento de máquinas nas proximidades, o que poderia ter levado à interpretação equivocada de que o aumento do tom de voz do prefeito representaria um agravamento da tensão. Ressalta-se que a Prefeitura não se manifestou sobre as acusações de ameaças de cunho funcional.
“Durante o acompanhamento dos trabalhos, o prefeito concedeu entrevista ao repórter Leandro, da Rádio Cultura, que aconteceu no local durante toda a situação. Neste momento, um servidor municipal foi ajustado e acordado como diretora de uma escola da rede pública. Houve um breve diálogo, no qual o servidora detetive da escola onde participou e chamou o prefeito a conhecê-la, convite que foi coletado de forma cordial, inclusive com referência informal a um café no local.
Instantes depois, ainda na presença de servidores e do profissional de imprensa, um servidora retornou e passou a manifestar críticas relacionadas à área da educação e à gestão, com comentários de cunho político-administrativo, de forma mais enfática.
O diálogo ocorrido em um ambiente com intenso ruído de máquinas e equipamentos usados nos serviços de limpeza e limpeza, ocasionalmente que, conforme relatos coletados no local, pode ter dificultado a compreensão adequada das falas.
Segundo os relatos apurados, tratou-se de uma divergência de opiniões, situação comum e legítima no ambiente democrático, especialmente em espaços públicos. Não houve qualquer contato físico ou ato de violência, tudo presenciado por servidores e pelo profissional de imprensa que acompanhou uma entrevista no local.”
Embora até o momento, não haja registros audiovisuais do encontro, tendo o caso seguindo sob apuração da Polícia Civil, o episódio expõe um cenário de tensão entre profissionais da educação e a atual gestão municipal sem previsão de apaziguamento. Prova disso foi o anúncio do Sinprefi, orquestrando uma greve e um protesto da categoria nesta terça-feira, dia 3 de fevereiro em frente à prefeitura.
