Embate com professores escancara crise administrativa na Secretaria de Educação de Foz do Iguaçu e levanta suspeitas de favoritismo

Fonte: Divulgação / Assessoria

A Prefeitura de Foz do Iguaçu enfrenta uma das mais graves crises administrativas e políticas de sua atual gestão. O cenário se agravou recentemente com o rompimento de parte significativa da base governista na Câmara Municipal. Dos vereadores que integravam a coalizão que elegeu o prefeito General Joaquim Silva e Luna (PL) no primeiro turno, nove parlamentares se declararam dissidentes, restando apenas seis vereadores oficialmente alinhados ao Executivo.

O grupo dissidente reúne representantes de diferentes partidos: PP, PSDB, PV, PL, PSD, MDB e PT, e chama atenção a saída de um vereador do próprio Partido Liberal, legenda do prefeito, evidenciando o enfraquecimento político do chefe do Executivo. Também integram a dissidência dois vereadores do PSD, partido do vice-prefeito e do governador do Paraná, Ratinho Júnior, que teve papel relevante na articulação política da campanha vencedora. O rompimento marca o fim de uma coalizão ampla que sustentava o governo municipal desde antes da eleição e aprofunda o distanciamento entre os poderes Executivo e Legislativo.

Entre os episódios que contribuíram para o desgaste estão três polêmicas que resultaram em pedidos de instauração de Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs). Uma delas envolve diretamente a Secretaria Municipal de Educação. A controvérsia teve início após dois vereadores divulgarem vídeos em suas redes sociais denunciando o que classificaram como suposta “doutrinação sexual” em material didático de língua inglesa utilizado na rede municipal. O conteúdo questionado apresentava um diálogo entre duas personagens femininas e incluía o termo “valentine”, palavra que, embora frequentemente associada a contextos românticos, também pode se referir a amizade em diferentes culturas, inclusive entre crianças ou até em referência a animais de estimação.

Em resposta à repercussão e conversa com os vereadores, como menciona Bosco Foz (PL) em seu vídeo, a secretária municipal de Educação, Silvana Garcia, emitiu o Memorando Interno nº 40218/2025, determinando a retirada imediata dos materiais das escolas. A medida, no entanto, foi suspensa após Ação Civil Pública ajuizada pelo Sindicato dos Professores da Rede Pública Municipal de Foz do Iguaçu (Sinprefi). O juiz Wendel Fernando Brunieri, da 2ª Vara da Fazenda Pública, determinou a devolução dos livros, decisão posteriormente confirmada em segunda instância pela desembargadora Ângela Maria Machado Costa, do Tribunal de Justiça do Paraná. Ao todo, cerca de 7 mil exemplares tiveram que ser redistribuídos às unidades escolares. A prefeitura tentou em vão derrubar a liminar, já que, segundo o despacho do TJ-PR “O Município também não junta o mencionado parecer técnico prévio, que apontaria as supostas irregularidades encontradas no mencionado material”.

O episódio ganhou contornos ainda mais delicados diante da cronologia dos fatos. Apenas Três dias antes da divulgação do vídeo que gerou a polêmica, a secretária de Educação participou de um evento promovido pela Systemic Editora, fornecedora de sistema bilíngue de ensino, realizado no estado de Alagoas. Em um vídeo publicado nas redes sociais por Clewinho Cavalcante, secretário de Educação do município de Pilar (AL), Silvana Garcia afirma: “Com certeza iremos implantar em nosso município”. Embora não haja comprovação de articulação entre a denúncia dos vereadores e a decisão administrativa da secretária, a proximidade temporal entre os acontecimentos levantou questionamentos entre servidores e os cidadãos de Foz.

Além desse caso, profissionais da educação relatam outros problemas na condução da pasta, como falta de diálogo com professores, adoção de medidas administrativas consideradas centralizadoras, distanciamento do Conselho Municipal de Educação e ataques públicos de integrantes da base governista, que passaram a rotular docentes como “doutrinadores”. O conjunto de episódios evidencia o grau de instabilidade da atual gestão da Secretaria de Educação e reflete, de forma mais ampla, a fragilidade administrativa e política enfrentada pela Prefeitura de Foz do Iguaçu, em um momento de crescente isolamento do Executivo e tensionamento com servidores e o Legislativo.

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